Faço aqui um rápido excurso à Rádio Renascença, no Porto. A estação começara a emitir em Lisboa (janeiro de 1937), com emissores de ondas médias e ondas curtas, e no Porto (maio de 1941). D. António Castro Meireles, bispo do Porto, lançou a bênção da estação naquela cidade. Inicialmente, a emissão portuense resultou de música gravada e transmissão do programa de Lisboa, captado em ondas curtas. O horário era: todos os dias (20:00-23:00), sábado (19:30-23:00), domingo e quinta-feira (12:00-13:00, 19:30-23:00). Algum tempo depois, a estação transmitiria a missa dominical a partir da igreja de Cedofeita (12:00). Com a chegada de um emissor potente, de 10 kW (janeiro de 1957), e anúncio de montagem (maio de 1957), além do abandono das velhas instalações da rua da Alegria, 411, 1º, para os estúdios de prédio novo na rua de Sá da Bandeira (outubro de 1959), a Renascença do Porto tornou-se uma das mais importantes estações da cidade.
Dos nomes mais conhecidos da estação, retenho quatro: Jorge Peixoto, Olga Cardoso, Fernando Rocha e padre Eloy Pinho.
Do percurso de Olga Cardoso, retiro duas ou três notas. A primeira, a da gravação de um diálogo com Américo Graça, escritor de peças radiofónicas, pelo que ela seria convidada para a equipa do teatro radiofónico da Orsec. Depois, integrou a equipa do teatro radiofónico de Rádio Clube do Norte, com Ilídio Inácio, Fernando Rocha e Regina Borges. Olga Cardoso e Fernando Rocha faziam habitualmente de personagens más, enquanto Ilídio Inácio desempenhava as boas personagens. Nunca lhe fizeram uma espera para bater na personagem má mas, um dia, num transporte público, ouviu duas senhoras a falarem do que tinham ouvido no dia anterior, uma segunda-feira, dizendo mal da sua personagem. Ela colaborou em programa de grande importância na rádio portuense, ainda antes de ir para a Rádio Renascença, Última Hora, de Carlos Silva, o pioneiro dos programas após a meia-noite. Olga Cardoso foi a primeira voz feminina e Carlos Silva a primeira voz masculina a aparecerem na rádio depois da meia-noite. O programa era basicamente musical e tinha textos para dizer com a voz da noite. Os ouvintes gostavam muito. A locutora gravava os seus textos durante o dia, mas havia ouvintes que julgavam que ela estivesse também à noite. Apenas Carlos Silva ficava no estúdio para a emissão em direto, Olga Cardoso tornou-se muito conhecida na Renascença pelo programa Despertar e, depois, fez um programa na televisão.
Jorge Peixoto era, no início da década de 1970, uma das vozes mais ouvidas na rádio portuense. Era locutor e repórter, parecendo gostar mais desta atividade, como indica na entrevista à Nova Antena, de 11 de setembro de 1970. Para ele, que estudava germânicas, o locutor devia ter uma cultura geral vasta, a incluir língua portuguesa, história da música, teatro, psicologia, para evitar que fosse um mero leitor de títulos ou capas de discos.
Imagens: festa de homenagem a Olga Cardoso (na fotografia com Fernando Rocha, que forneceu os materiais fotográficos) em 7 de dezembro de 1986, entrevista a Jorge Peixoto, fotografia tirada ainda na primeira sede da rádio no Porto: Reinaldo Andrade, Fernando Rocha, Maria Eugénia Machado e Daniel Gonçalves.





OpenEdition sugere que esta publicação seja citada da seguinte forma:
Rogério Santos (3 de Maio de 2020). Fichas radiofónicas (6) – Rádio Renascença – Porto. HISTÓRIA DA RÁDIO EM PORTUGAL. Recuperado em 16 de Agosto de 2026 de https://doi.org/10.58079/t7lt